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Encontro Marcado com o Cinema de Fernando Sabino e David Neves

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Encontro Marcado com o Cinema de Fernando Sabino e David Neves

Gravadora:  Biscoito Fino

Ano:  2006

Conserva��o da Capa:  Ótimo Estado

Conservação do CDÓtimo Estado

Regi�o:  Todas (All)

Idioma:  Português

Dura��o:  121 minutos

Cor:  Colorido

Formato de Tela:  4:3

Sistema de Som:  Dolby Digital 2.0

Extras:  Documentário Encontro Marcado com Fernando Sabino

Sinopse

São instantâneos pessoais de rara intimidade flagrados em momentos tão preciosos quanto banais, por sua ambiência doméstica - com Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Érico Verissimo, José Américo de Almeida, Afonso Arinos, Pedro Nava, além do curta de Joaquim Pedro de Andrade com Manuel Bandeira.

O Fazendeiro do ar apresenta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) mais carioca que itabirano, falando das raízes mineiras (da fixação sentimental pelas origens), admirando a vista da Pedra do Arpoador e brincando de esconder entre as pilastras do Ministério da Educação - onde foi chefe de gabinete do ministro Gustavo Capanema. O poeta aparece como prosaico passageiro do coletivo que o conduzia de sua casa, no Posto 6, ao centro da cidade para trabalhar como funcionário público.

Poesia, música e amor flagra Vinicius de Moraes (1913-1980) em sua fase baiana, ao lado de Toquinho, Maria Creuza, Aloysio de Oliveira, a mulher Gesse e do inseparável copo de uísque, sob o disque-disque dos coqueirais de sua idílica Itapoã. Fala de suas características poéticas (O pronome da primeira pessoa vem sendo, pouco a pouco, substituído pela terceira) e assume as influências de Rimbaud, Baudelaire, Verlaine e Manuel Bandeira. O filme mostra Vinicius acompanhando-se sozinho ao violão em sambas de sua lavra, como Quando tu passas por mim.

A casa do Rio Vermelho, mostra o cotidiano tropical de Jorge Amado (1912-2001) na residência de Salvador em que viveu ao lado de Zélia Gattai, cercado dos filhos, netos e amigos - Mario Cravo, Scliar, Mirabeau, Calazans Neto, Carybé, Dorival Caymmi, Mãe Menininha do Gantois. Jorge visita o Mercado Modelo, onde se encontra com Camafeu de Oxóssi. Entre pinturas, esculturas e romances, o ambiente de Amado parece ser a própria Pasárgada de Bandeira.

O habitante de Pasárgada - instantâneo do Cinema Novo sob as lentes de Joaquim Pedro - apresenta um Manuel Bandeira (1886-1968) solitário, de hábitos frugais: sopra a boca do fogão em busca de um café fresco, de pijama, escreve à máquina; compra jornais e leite nas redondezas, caminha pela Avenida Rio Branco; e recita seus próprios versos, que saltam de sua imensa generosidade como os pães da torradeira no apartamento na Lapa.

Veredas de Minas mostra os homens do sertão que se tornaram personagens de Guimarães Rosa (1908-1967). Manuelzão e Zito relembram passagens ao lado do criador de Grande Sertão Veredas, outra obra a completar 50 anos em 2006. O documentário inclui trechos de filmes inspirados no escritor - de Paulo Thiago, Maurice Capovilla e Roberto Santos - e imagens de sua Cordisburgo natal, e fotos da posse na Academia Brasileira de Letras, dois dias antes de sua morte, em 1967, em que profetizou: As pessoas não morrem, ficam encantadas.

O curso do poeta, com João Cabral de Melo Neto (1920-1999), propõe uma metáfora da obra do autor de Morte e vida Severina com as águas do Capibaribe (a cidade é passada pelo rio / como uma rua é passada por um cachorro / uma fruta por uma espada), incorporando a produção do poeta à paisagem do Recife e demais localidades de Pernambuco. Cabral tece loas às cabras e pedras do sertão de Pernambuco, bem como às usinas e canaviais da Zona da Mata. Dirigido por Renato Newman, o filme mostra o poeta no auditório da Cinemateca do MAM, no Rio.

José Américo de Almeida (1887-1980), autor de A bagaceira, tem sua imagem registrada aos 87 anos, duas décadas depois de retirar-se da vida pública. Em sua casa, na praia de Tambaú, em João Pessoa, o escritor, ex-governador e senador pela Paraíba, fala de sua obra que inaugurou o neo-regionalismo nordestino na literatura e comenta o período em que foi ministro da aviação e obras públicas de Vargas, até candidatar-se à presidência da República, sem o respaldo federal: Getúlio nunca me apoiou, lamenta. O filme conta ainda com o depoimento de Tristão de Athayde.

Em tempo de Nava enfoca o médico, artista plástico e escritor Pedro Nava (1903-1984), em sua casa e seu consultório. Nascido em Belo Horizonte, orgulha-se de conhecer profundamente o Rio por ter sido médico de assistência: Ia-se ao mangue, à zona, palacetes, morro acima. Éramos bem tratados mesmo nas áreas mais perigosas, atesta. Ele reclama da efemeridade das convicções na medicina: Um livro no fim de 15 anos não vale mais nada. Vivemos de uma ciência provisória. A mutabilidade decepciona o médico que pensa sua arte.

O Rio Grande do Sul, de Érico Verissimo (1905-1975), é o cenário de Um contador de histórias, onde o escritor aparece em família. Imita um samurai, faz mágicas para os netos, caminha nas ruas de Porto Alegre. Verissimo reencontra sua cidade natal, Cruz Alta, onde volta à casa da infância, sempre ao lado da mulher, Mafalda: Sei que não é fácil ser mulher de um escritor como eu. Eu me amo, mas não me admiro. Preciso de sua presença vigilante e amorosa, declara.

Em O escritor na vida pública, o intelectual, ex-parlamentar e advogado mineiro Afonso Arinos de Melo Franco (1905-1990) recebe os amigos Prudente de Moraes Neto e Pedro Nava em seu palacete no bairro carioca de Botafogo. Fala sobre o gênero mais recorrente em sua obra - o ensaio - que, em seu depoimento, reúne a vocação literária que muito modesta existe em mim com a inclinação pela vida pública. Arinos revela que a lei anti-racismo que celebrizou seu nome foi inspirada em seu motorista depois de este ser impedido de entrar em uma confeitaria, no Rio.

No extra Encontro Marcado com Fernando Sabino, há depoimentos do cronista e dos escritores Luis Fernando Veríssimo e Affonso Romano de Sant´anna; da secretária Fabiana Rodrigues, da filha Verônica e do ator Paulo Betti, além de imagens do filme de Oswaldo Caldeira, O grande mentecapto, inspirado no romance do escritor que elevou a crônica à categoria de alta literatura. Nas palavras de Zuenir Ventura, Fernando é o mestre de todos nós.